Uilson Santos Souto
Poeta brasileiro, casado com Agda de Cassia, pai de três filhos maravilhosos: Igor, Catarina e Ivan, avô da encantadora Lavínia, bancário aposentado e apaixonado pela família, poesia, natureza e bicicleta.
FÉTIDOS PODERES
9/17
FÉTIDOS PODERES
Que fazer com este caos
Que assola o meu país,
Gerido por homens maus,
Fingidos, corruptos, vis?
Que fazer com o mar de lama
Que é de antes do Catete
E que, em Brasília, se trama,
Deixar sob um bom tapete?
Que fazer com ministérios
De tanto azar ou má sorte,
Onde roubam sem mistério
Da Saúde ao Transporte?
Que fazer com estes Ministros,
Mas… São trinta, cinquenta ou cem?
Apagados e/ou sinistros
Que nos tratam com desdém.
Que fazer com os “Três Poderes”?
E, por favor, não te choques;
Ninguém sabe em seus dizeres,
Se são pífios ou escroques.
Que fazer com tanto amigo,
Companheiro ou parente,
A colocar em perigo,
Um chefe sempre inocente?
Que fazer com tanta orgia
Com que gastam nosso imposto?
E querem mais, quem diria!
A turma só dá desgosto.
É votar com mais cuidado
E não reeleger Deputado,
Vereador, nem Prefeito,
Senador? É uma excrescência,
Nem sequer a Presidência,
Só assim vamos dar jeito.
(Sempre atualizada para qualquer época e/ou corrente política no poder.)
Por:
O AMOR
09/13
O AMOR
Amor é mais que simples querer bem;
Amor é mais que fogo em peito ardente;
Amor dói mais que a maior dor de dente;
Amor é mil em uma escala de cem.
Amor é bom, mas um mistério tem;
É um mistério que não há quem aguente;
Quando se tem, é um arrepio quente:
É frio, arde e é gostoso também.
Amor assim é um achado em mil;
Para o narrar eu preciso do til;
É quase igual ao que teve Sansão;
Amor é, mesmo, algo calmo e forte;
Vem do início e sobrevive à morte.
O passageiro, creio, é só paixão.
Por:
Mineirim… (Norte de Minas)
08/25
Um pé de manga, cheio de enxertos,
Cercas, quintais, carentes de concertos,
A insinuar uma vida sem farturas.
O interior da casa é o inverso,
Há alegria no seu universo,
Na vida simples das suas criaturas.
Galhos sem folhas, terra esturricada,
A sugerir: aqui não produz nada.
Poços d’água de um leito ressecado,
Mas o gado é sadio, pelo liso,
Se parece inferno, é paraíso,
O mineiro tem tudo bem guardado.
E o café? É praxe, com biscoito,
Sou guloso, comi pra lá de oito,
Se demoro, coitado! O frango morre.
É assim esse povo das Gerais:
Recebem bem, com pinga e tudo mais,
Onde não há pressa, nem o tempo corre.
Fumo de rolo, de palha o cigarro,
Gostosa água do pote de barro
E paciência maior que a de Jó.
Um bom beiju, manteiga na garrafa,
Fogão de lenha e ninguém se estafa,
Um bom vizinho nunca está só.
É povo calmo, simples e singelo,
Gosta de paz e sabe amar o belo.
Se um valente chega e provoca,
Se não tem macho que goste de briga?
“Os qui aqui tinha furemo a barriga,
Matemo tudo e joguemo na barroca”.
Por: