Um pé de manga, cheio de enxertos,
Cercas, quintais, carentes de concertos,
A insinuar uma vida sem farturas.
O interior da casa é o inverso,
Há alegria no seu universo,
Na vida simples das suas criaturas.
Galhos sem folhas, terra esturricada,
A sugerir: aqui não produz nada.
Poços d’água de um leito ressecado,
Mas o gado é sadio, pelo liso,
Se parece inferno, é paraíso,
O mineiro tem tudo bem guardado.
E o café? É praxe, com biscoito,
Sou guloso, comi pra lá de oito,
Se demoro, coitado! O frango morre.
É assim esse povo das Gerais:
Recebem bem, com pinga e tudo mais,
Onde não há pressa, nem o tempo corre.
Fumo de rolo, de palha o cigarro,
Gostosa água do pote de barro
E paciência maior que a de Jó.
Um bom beiju, manteiga na garrafa,
Fogão de lenha e ninguém se estafa,
Um bom vizinho nunca está só.
É povo calmo, simples e singelo,
Gosta de paz e sabe amar o belo.
Se um valente chega e provoca,
Se não tem macho que goste de briga?
“Os qui aqui tinha furemo a barriga,
Matemo tudo e joguemo na barroca”.